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Entrevistas

Anápuáka, o índio conectado

Anápuáka Muniz Tupinambá Hã hã hãeAnápuáka Muniz Tupinambá Hã hã hãe é índigena e é conectado. De etnia Tupinambá e Pataxó Hã hã hãe, saiu da Aldeia Água Vermelha (Bahia) quando tinha 13 anos. Veio para o Rio de Janeiro, morar e estudar. Formou-se em Gestão em Marketing e Jornalismo de Políticas Públicas Sociais. Iniciou sua carreira profissional trabalhando com rádio, jornais, revista e livros – fazendo da pauta ao projeto gráfico. Hoje Anápuáka Tupinambá é um importante líder e faz a ponte entre a cultura tradicional indígena e a cultura digital.

EM QUE MOMENTO DA SUA VIDA VOCÊ CONHECEU A INTERNET? E COMO SURGIU O GOSTO PELA CULTURA DIGITAL?

Conheci a internet em 1996, com um cd de acesso à internet da UOL que era vendido nas bancas de jornais do Rio de Janeiro por R$ 1,00. O fato me deixou empolgado para instalar no meu PC Pentium 100 com OS Windows 3.11, na época top de linha com um modem discado com a velocidade de 14.4 kbit/s.

Anápuáka Muniz Tupinambá Hã hã hãe Mas a cultura digital começa em 1988, no bairro de Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio, em um curso de informática onde estudei programação Basic e digitação em um computador TK 2000 com gravador de fita cassete.  Vivia a esperança de ter um emprego na área do Polo Petroquímico de Itaguaí, porque foi uma proposta do então governador do estado do Rio de Janeiro, Moreira Franco, para ajudar na recuperação econômica do estado. Previa-se o projeto com um potencial para gerar 30 mil empregos, mas que nunca aconteceu. Na época,  ter um computador era fora de minha realidade pois era caro demais.  Eu brincava com computadores de amigos de vários modelos e marcas, como TK 90x, Amiga, Gradiente e Sharp MSX Expert.  Em 1996 a minha ex-falecida esposa, a jornalista Helen Marcy, financiou um pc Pentium 100 e uma impressora HP, onde o total somava R$ 3.000,00 e na primeira semana eu “dei pau” na máquina, corrompendo o sistema operacional. Tivemos que gastar uma baita grana com técnico para reinstalar tudo. Neste dia vi o prejuízo, mas fiquei encantado. Aprendi muito lendo revistas, como Infomática Exame (hoje Info Exame). Depois passei por muitas experiências, uma delas foi no Jornal Black News, um jornal de mídia alternativa, onde aprendi o que fazer e não fazer. Lá emplacamos novas formas de editorar, técnicas e softwares, capas com design e conteúdos além do tempo do sistema de mídia alternativa. Apesar do dono não apoiar sempre, tínhamos um jeitinho de fazer cada edição algo novo e polêmico, até matérias indígenas rolou. Daí por diante passei por algumas rádios e fui somando experiências em comunicação, tecnologia e cultura digital. No dia 19 de abril de 2001 ou 2004, não lembro, Helen Marcy disse que tinha uma surpresa para mim: o PC estava conectado em um site chamado de Índios Online.

NA ONG THYDÊWÁ VOCÊ PARTICIPOU COMO COLABORADOR EM DESIGN GRÁFICO DA SÉRIE DE LIVROS ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS. CONTE COMO SURGIU ESTE CONVITE.

Índios na visão dos índiosNão lembro se foi por e-mail ou mensageiro instantâneo… mas o presidente da ONG, Sebastián Gerlic (Sebas) me perguntou se eu sabia fazer editoração e eu disse que sim, mas em Corel Draw, coisa que me arrependo de ter usando! Para fazer o “Índios na Visão dos Índios – Pataxó Hã hã hãe” tínhamos um tempo muito curto e usando o Corel tinha colocado para salvar o arquivo a cada 5 minutos. Para um livro de 68 páginas, foi uma experiência louca e horrível.

Mas gosto muito desta série “Índios na Visão dos Índios”, os que eu editorei chamo de meus filhotes, e hoje estão disponíveis para download de graça sob licença Creative Commons no site da Ong. Veja o Pataxó Hã hã hãe em http://www.thydewa.org/downloads/hahahae.pdf

FALE MAIS SOBRE O SEU TRABALHO NA WEB BRASIL INDÍGENA.

A Web Brasil Indígena nasceu de uma feliz junção entre duas mentes inquietas e de áreas totalmente diferentes, mas com objetos semelhantes. Eu Rosane Faria, professora de artes visuais, paisagista e gestora cultural. Acreditando no projeto e em nossos potenciais pessoais, passamos seis meses de 2008 com longas e infindáveis conversas pela madrugada em ideias que ficariam interessantes em nosso site.

A Web Brasil Indígena é um projeto de conceito em etnomídia, para construção de uma rede social colaborativa que gera conteúdo tecnológico, de conhecimento, cultural, informativo e de compartilhamento com os povos indígenas ou não.

VOCÊ É UMA FIGURA COMUM NO CAMPUS PARTY. EM 2010 TEVE A OPORTUNIDADE DE DIALOGAR COM O MARCELO TAS E O TC (LÍDER TECNOLÓGICO QUILOMBOLA). COMO FOI ESTA EXPERIÊNCIA?

Anápuáka, TC e Marcelo TasAntes era mais comum, hoje não mais. Falta tempo e quando der irei levando algo legal para compartilhar e para poder aprender mais com pessoal. Visitar o Campus Party é uma oportunidade única de reencontrar muitos amigos de mídia digital, mídia ativismo e de projetos de comunicação.

Com o Marcelo Tas e TC, foi um papo que muitos esperavam um quebra-pau. Explico, em 2009 o Tas foi patrocinado pela Telefônica e muitos fãs se sentiram traídos. Naquele momento a Telefônica entregava um péssimo marcelo_tasserviço. Cheguei a ouvir de um deles no pé do ouvido: “Anápuáka, detona o Tas!” e me senti em um combate de MMA (risos). Mas o papo foi legal e muita gente estava lá para ouvir o nosso debate. O público estava hipnotizado, olhando para nós no palco, esperando algum nocaute. Mas não houve, cada um falou de suas experiências e trocamos diálogos comuns.

Nesta ocasião, existia um orelhão que ligava de graça, do projeto “liguei, não paguei e protestei”. Eu fiz um pedido para o Tas ir ao orelhão e ele ligou para filha dele que mora em Boston nos Estados Unidos. Foi a oportunidade dele livra-se deste estigma.

VOCÊ É UM ENTUSIASTA DE SOFTWARE LIVRE, PRINCIPALMENTE OS DE EDIÇÃO DE VÍDEO E ÁUDIO. QUAIS VOCÊ UTILIZA E COM QUE FINALIDADE?

Não só de software livre, mas também de licenças e códigos abertos e livres. Sempre rola esta pergunta porque existe um certo desprezo ao software livre como se fosse inferior ao software proprietário.  Software livre é de graça? Sim e tem muita gente atualizando diariamente e corrigindo bugs, o que não ocorre com aplicativos proprietários com tanta frequência. Além disso, posso usar o dinheiro das licenças comerciais em investimento pessoal de formação. Quando se tira uma habilitação para dirigir carro, você tira para dirigir um modelo ou marca especifica de carro? CNH é para Fusca ou Ferrari? Vale mais o talento, não é?

O Cinelerra eu uso para audiovisual em geral, como documentários e webclipe. Uso o Audacity para editar áudio em geral como podcasts, notícias para rádio web, trilhas musicais indígenas, gravar reuniões e documentação de áudio de rituais.

EM 2011 VOCÊ RECEBEU O PRÊMIO MOZILLA FIREFOX LIBERTADORES DA WEB. CONTE SOBRE ESTE RECONHECIMENTO.

Prêmio Mozilla - Libertadores da Web

A premiação da Mozilla Firefox, para 10 personalidades brasileiras que contribuíram para a liberdade na internet, foi uma novidade para mim.  Uma forma que encontraram de engajar ainda mais algumas pessoas que fazem parte da história da open web no Brasil. Aconteceu durante o Festival de Cultura Digital no Rio de Janeiro. Fico pensando sobre este reconhecimento… olhando links, lembrando das palestras, bate papos, construção individuais e coletivas, parcerias em projetos e que levou a esta premiação.

VOCÊ JÁ ESTEVE ENVOLVIDO COM UM PROJETO DE RPG DE TEMÁTICA INDÍGENA. COMO SURGIU ESTA IDEIA?

Sim estive, surgiu com o desejo de socializar culturas étnicas indígenas por meio de jogos, já que temos uma massa muito grande de gamers. É um meio de levar informação e cultura sem ser chato.  Mas pena que não vingou… faltou dinheiro e não consegui passar em nenhum edital de game. Mas a ideia não tá morta e topo recuperá-la, caso tenha alguém com disposição para ajudar e investir.

EM 2012 VOCÊ FUNDOU O “RAÍZES HISTÓRICAS INDÍGENAS”? O QUE É E QUAL A FINALIDADE DESTE PROJETO?

Sou um dos membros fundadores e coordenador executivo do Raízes Históricas Indígenas. É um grupo/coletivo, composto por indígenas de diferentes etnias, que se juntou para buscar representar, reivindicar, apoiar, debater, desenvolver, organizar, defender e lutar pelos direitos do índio. É uma entidade nacional e internacional, sem fins econômicos.

FALE SOBRE A RÁDIO ONLINE YANDÊ.

Rádio Yande

Yandê significa “você” e todos “nós”, como diz o ditado, tudo que fazemos juntos fica melhor. É com esse conceito que nós do Grupo de Comunicação Yandê trabalhamos.

Temos como objetivo a difusão da cultura indígena através da ótica tradicional, mas agregando a velocidade e o alcance da tecnologia e da internet. Nossa necessidade de incentivar novos “correspondentes indígenas” no Brasil, faz com que possamos construir uma comunicação colaborativa muito mais forte.

Nossa grade de programação possui programas informativos e educativos que trazem para o público um pouco da realidade indígena do Brasil. Desfazendo antigos estereótipos e preconceitos ocasionados pela falta de informação especializada em veículos de comunicação não indígenas.

SABEMOS QUE VOCÊ FREQUENTA A DEEP WEB. DIZ PRA GENTE, O QUE VOCÊ BUSCA POR LÁ?

icebergA Deep Web é o local onde posso encontrar conhecimento irrestrito e que não é indexado por buscadores como o Google. É nela que consigo aliviar minha sede de conhecimento e compartilhamento. O conteúdo na web atual é muito raso. Imagina um bloco de gelo no mar… se olhar no fundo das águas, verá que a parte submersa do iceberg é bem longa e profunda.  Não busco ideias rasas, pensamentos construídos. Na Deep Web a coisa é mais intensa e dinâmica, não é pré-pronto para deixar todos satisfeitos e aliviados da fome de conhecimento básico. O que não se acha nos outros buscadores é porque está na Deep Web e eu estou lá também. Awerê!

 

Anápuáka Repórter do Minuto na ArenaRio20 // 2012 Rio +20

Blogue do Anápuáka: https://bloguedoanapuaka.wordpress.com
Rádio Yandê: www.radioyande.com
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Emails: anapuakamuniztupinamba@gmail.com
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Tel/Cel: +55(21) 98803.5550

 

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