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Entrevistas

Flavio Soares, desenhista, escritor e editor de arte

1509970_10152113470802566_2071187664_nEditor de arte profissional, desenhista, escritor e cozinheiro amador. Dividindo seu tempo entre ser pai de Logan e Max, marido de Camila, Flavio também é autor do blog e das tiras de A Vida com Logan, Morsaman, Losties, podcaster do site Papo de Gordo e acaba de ter um gibi lançado pela editora Abril.

Facebook: Flavio Soares
Site: www.flaviosoares.com.br

Confira o Bate-papo

Primeiramente muito obrigado pela atenção Flavio. Vamos começar pelo básico e perguntar quando que você começou a desenhar profissionalmente?
Essa resposta é um pouco estranha, pra ser honesto. Desenhar, eu desenho (ou tento) desde meus 10 anos,mas desenhar “profissionalmente” é uma coisa que eu faço (retomei) há pouco tempo. Então, dá pra dizer que estou envolvido com desenho de alguma maneira há quase 30 anos, mas sou desenhista profissional há pouco mais de 4 anos.

Como você começou sua carreira no mercado de comunicação visual? Fez faculdade ou algum curso?
Eu sou técnico em diagramação gráfica pelo Senai-SP. Comecei como assistente de revisão em jornais do interior, depois passei para redator e daí fui para diagramador e também “chefe gráfico” (um nomezinho imponente para dizer que eu era o cara que aprovava e liberava os jornais para a gráfica). Depois disso, fui para o estúdio do Franco de Rosa, trabalhar nas revistas da Nova Sampa e, de lá, fui para Mythos (com a qual trabalho até hoje) e, finalmente, pro homeworking. Nesse meio tempo, voltei a desenhar e a estudar desenho.

Você acha o mercado editorial uma boa opção pra quem deseja ingressar na ilustração?
Sim. É um mercado que sempre procura por talentos e sempre tem trabalho. Talvez não seja o que melhor remunera no Brasil (publicidade paga muito melhor), mas, sem dúvida, é um mercado que sempre tem oferta de trabalho.

Você acha que a vida de freelancer é muito diferente ou mais dura que de um empregado comum?
É igual. O bom freelancer é aquele que cria, em casa ou no estúdio particular, uma rotina de trabalho tão séria quanto se estivesse em um escritório. A diferença é que você pode cumprir 8 horas de trabalho no horário que rende mais; pode colocar o rádio no volume que quiser; pode trabalhar descalço ou sem camisa… estas facilidades compensam, mas o “lidar com o trabalho” precisa ter disciplina, senão vira bagunça e você perde clientes e dinheiro.

Como é o seu dia a dia? Como é o processo de receber material da editora (roteiros, esboços etc)? Rola liberdade criativa?

Eu digo que meus dias nunca são iguais ou rotineiros (risos). Como boa parte da minha produção ainda é diagramação de livros e revistas eu não tenho tido problemas com roteiros ou falta de liberdade criativa. Quando estou ilustrando algum livro didático tenho, sim, que seguir o mais fielmente possível a descrição enviada na “pauta” pelo autor e pelo editor. Aí não rola muita liberdade, mesmo.

Geralmente, no caso de diagramação, eu recebo um briefing do produto, os textos, as imagens, a estrutura (quantidade de páginas, formato, etc) e daí por diante é responsabilidade minha dar uma cara para o produto.

No caso de criação publicitária (mascotes, etc) eu também recebo um briefing dando uma idéia geral de como querem o produto e em cima disso eu tento criar algo que encaixe dentro do que foi proposto em um estilo que agrade ao cliente (nesse caso, normalmente, meu traço pessoal fica de lado).

Roteiros de outros autores ainda não recebi, mas estou trabalhando em roteiros para outros desenharem (e não vou adiantar mais nada além disso, rsrsrs).

Você tem um portfolio muito vasto e passeia por diversar áreas da arte, como quadrinhos, charges, cartuns, tirinhas e infantis. O que você mais curte fazer?
No momento eu tenho curtido muito fazer arte-final para outros desenhistas e escrever tiras. São as coisas que mais têm me dado satisfação no momento. Mas eu ainda me sinto bem fazendo todas as outras e não me importaria de trabalhar nessas áreas a vida toda.

O que curte ler? Quais são as suas referencias no mundo dos quadrinhos? E fora?
Eu leio de tudo. Ultimamente tenho tido pouco tempo então tive que ficar um pouco mais seletivo. Tenho lido quadrinhos, mas perdi a paciência com os super-heróis e suas sagas-eventos que vão mudar tudo que você sabe à respeito deles definitivamente até o verão do próximo ano quando a nova saga-eveto mega-hiper-revolucionária vai mudar tudo de novo para voltar ao que era. Deu no saco. Não dá pra acompanhar grandes arcos de histórias onde tudo pode virar “mentirinha” no ano seguinte.

Mas curto muito os quadrinhos adultos e independentes. Recentemente as três melhores HQs que li foram feitas por brasileiros: Morro da Favela (andré Diniz), Auto da Barca do Inferno (adaptado por Laudo Ferreira Jr.) e Daytripper (Fábio Moon e Gabriel Bá). São HQs assim que tenho preferido ler nos últimos tempos.

Mas, minhas referências nas HQs são todas antigas. Sou fã de carteirinha de BIll Watterson e há uma influência muito forte dele no primeiro ano das tiras de A Vida com Logan. Também admiro o trabalho de Kyle Barker, Darwin Cooke, Bruce Timm, Neil Gaiman (este último, nos quadrinhos e nos livros) e os desenhistas e arte-finalistas “old school” como John Buscema, Joe Sinott, Tom Palmer, Tony DeZuñiga, a turma da MAD dos anos 60, entre outros.

Fora dos quadrinhos, as séries de TVs tem sido uma influência maior do que o cinema atualmente. Gosto de coisas díspares como Game of Thrones e Person of Interest. Tenho curtido The Walking Dead, apesar da primeira metade da segunda temporada ter se arrastado mais do que um zumbi manco e Alcatraz me parece um novo Lost (malditos!) e não estou conseguindo deixar de acompanhar (mas admito que alguns dos recalques de Lost que eles têm usado já estão dando no saco).

Atualmente, na pilha de livros “a ler” tenho o primeiro volume de Game of Thrones, O Vendedor de Armas (livro de estréia de Hugh Laurie como romancista) e mais alguns encadernados de Calvin.

Por incrível (e estranho) que possa parecer, é o conjunto de todas essas coisas (e mais algumas que vão surgindo no dia-a-dia) que vão me influenciando.

Qual foi o gibi mais significativo na sua vida? Filme? Música?
Foram vários gibis em diferentes momentos da vida. A conclusão da Saga da Fênix, publicada aqui pela primeira vez em um Grandes Heróis Marvel, da editora Abril, foi marcante. Ali, eu virei colecionador de quadrinhos de super-heróis. Também foi marcante porque foi o primeiro gibi que eu li que mostra um dos heróis morrendo no final.

Crise nas Infinitas Terras foi marcante, mas, como eu acompanhava a DC a pouco tempo o conceito de terras unificadas pra mim àquela época era irrelevante. Mas foi um marco.

Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, foi um divisor de águas pra mim. Eu já era fã do trabalho que MIller havia feito com o Demolidor, mas o que ele veio a fazer depois com o Batman me mostrou que quadrinhos de super-heróis podiam ir além dos limites usados até então. Foi esse trabalho que me levou a ler coisas como Watchmen (outro divisor de águas), American Flagg, Grim Jack, Moonshadow, V de Vingança e toda aquela produção “fora do padrão” que surgiu no final dos anos 80.

E isso abriu as portas pros quadrinhos europeus, que também foram marcantes. Passageiros do Vento (Françoise Bourgeon) é fantástica e merecia uma edicão nacional digna. Foi através desse material, e de revistas como a Animal, que tomei contato com a produção européia e o trabalho de gente como Bernett, Manara, Liberatore, Gosciny, Uderzo e muitos outros.

Já em termos de filmes, Superman foi marcante. Lembro que assiti no cinema, legendado, sem saber ler, claro, e não entendi porcaria nenhuma. Mas, caramba! ele estava voando! Teve outros filmes que foram importantes, mas Superman de Richard Donner foi único.

Já na música, eu tenho um gosto bem variado, mas admito uma queda grande pelos sons irlandeses/celtas e por trilhas sonoras de Hans Zimmer, John Williams, John Powell, etc.

Você também é podcaster. Como é conciliar o seu trabalho com as gravações? Você acha que te abriu portas de trabalho?
Não dá pra conciliar. É por isso que estou sempre dormindo no Papo de Gordo (risos).

Falando sério: é uma coisa complicada. Gravar podcast toma um bom tempo (editar toma muito mais e sou grato por não precisar fazer isso), então somos obrigados a fazer algumas mágicas. Eu, por exemplo, não gravo aos finais de semana e nem em feriados. Esse é um tempo meu pra colocar freelas em ordem ou pra ficar com minha família. Não rola gravaçnao nenhuma nessas ocasiões.

Diretamente, o podcast não abriu portas de trabalho, mas, indiretamente, ele me tornou conhecido, tornou meus sites conhecidos, tornou meu trabalho conhecido, me colocou em contato com mjuitas pessoas e o boca a boca me trouxe algumas boas indicações de freelas. Seria muito injusto eu falar que não consegui nada gravando podcast. A “exposição” que o podcast proporcionou trouxe boas recompensas, sim.

Dessa vida de podcaster surgiram 2 projetos de tiras em quadrinhos. Como foi o processo de criação do Morsaman e do Losties?
O MorsaMan já existia. Ele era uma criação do Lucio (Luiz) e do Dudu (Sales) pra um projeto deles chamado “Mundo Morsa”. O design original do MM foi feito pelo Dango Costa, ex-aluno de Dudu. Eu apenas tomei o modelo dele como base e, aos poucos, fui deixando com a minha cara. Mas, no que diz respeito à criação do MorsaMan eu meio que sou um “tio distante” que foi uma má-influência da personalidade do menino.

Losties foi uma coisa que surgiu por acaso no último ano do seriado. Eu estava assistindo ao episódio em que Richard era o foco e comecei a pensar em situações ridículas que poderia criar usando a trama e os acontecimentos do episódio como ponto de partida. Daí pra frente foi ladeira abaixo! (risos). Este é um projeto que eu ainda tenho vontade de fazer do jeito certo: 7 volumes de 100 tiras cada, com uma temporada em cada volume. Está na pilha de “projetos futuros” ao lado da “Dinastia e Glória da Família Petraskis”.

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Fale um pouco de seu blog “A vida com Logan”.Quando e como você teve a idéia deste projeto? Fala a verdade, você se baseou no Wolverine né (risos)?
O A Vida com Logan nasceu como um blog de textos há cerca de 7 anos, pouco depois do nascimento de Logan, meu filho mais velho que tem síndrome de Down. Durante um tempo o blog meio que serviu de terapia para mim e de registro para todas as conquistas do Logan e desse desafio que é criar um filho, independente dele ter alguma “deficiência” ou não.

Com o tempo, os textos já não eram o bastante e eu senti que precisava de algo mais e comecei a formatar a ideia das tiras (que também começou por acaso, com rabiscos a esmo em um bloco de papel ao lado do computador). A ideia tomou forma, minha segunda esposa, Camila, madrasta de Logan, me incentivou muito a deixar de ser tão crítico com a qualidade do meu trabalho e colocar as tiras no ar e nasceu o formato atual do blog que, para mim, seria algo restrito ao círculo familiar e alguns amigos mais chegados. Nunca imaginei que tomaria a proporção que tomou. E isso é mérito da Camila. Se não fosse por ela, a primeira tira não teria sido publicada até hoje (eu estaria refazendo-a, redesenhando e nunca me sentiria satisfeito com o trabalho final). Ela é a grande heroína anônima por trás do A Vida com Logan.

Esta história do nome é engraçada. O motivo real é uma coisa mais nerd ainda e ninguém acredita. O nome veio do nome do personagen principal do filme Fuga do Século 23 (Logan’s Run): Logan 5. Quando vi o filme (e o seriado) achei o nome tão legal que decidi que meu primeiro filho se chamaria Logan (decidi isso com 13 anos de idade). Só muito tempo depois descobri que o nome verdadeiro do Wolverine era Logan. Aí, encarei como um “bônus”. (risos)

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Como foi sua experiência no catar-se com o livro da vida com logan? Considera a plataforma uma boa alternativa pra ilustradores e quadrinistas?
Foi corrido (risos). E bem diferente do que imaginei – em termos do trabalho necessário para fazer o projeto decolar. Você precisa dedicar muito tempo a isso. Foi uma experiência positiva e uma alternativa muito interessante. Eu faria novamente, com toda certeza, mas me prepararia melhor para a parte de divulgação e “geração de conteúdo” durante a campanha.

Você se considera um militante da causa da síndrome de Down?
Todo mundo que tem um filho com síndrome de Down, autismo, Aesperger, cadeirante, cego, surdo, etc é um militante. Em maior ou menor escala, você está o tempo todo lutando contra o preconceito, contra as falhas dessa entidade disforme que nos acostumamos a chamar de “O Sistema”, contra a ineficácia dos governos (de direita, de esquerda, de centro, militares, qualquer um)… Enfim, você acorda lutando e dorme lutando. Porque, enquanto pai, enquanto mãe, você não vai deixar que a falta de esclarecimento dos outros, a falta de vontade de muitas escolas e de muitos educadores, a falta de competência do governo para investir mais no social e menos em estádio de futebol, se tornem obstáculos que impeçam o avanço do teu filho (e dos filhos dos outros também, porque todos ganham quando há inclusão com seriedade e boa-vontade). Você vai lutar e militar de todas as formas que puder até que não seja mais preciso “discutir” a inclusão porque não é mais preciso “fazer” a inclusão. Ela já estará feita.

Com certeza temos leitores interessados em ingressar neste mundo, profissionalmente. Quais as suas dicas?
Estudo. Não existem “atalhos” com desenho. Você tem que estudar muito e desenhar muito. O desenhista desenha todos os dias. Fiquei anos sem desenhar e demorou um bom tempo para que meu desenho aparecesse de novo. Estudo e treino são coisas que você vai precisar a vida toda.

Não é porque você é um profissional trabalhando com desenho que você não precisa fazer um curso pra aprimorar uma técnica (ou até mesmo aprender uma nova).

Ficar de olho no que o mercado quer, nos caminhos que os desenhistas estão tomando e estudar e desenhar sempre, todos os dias.

Não dá pra pegar atalhos nessa área.

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